Cachaceiro(a) do meu coração,
Sentiu minha falta semana passada? Pois é, eu estou super envolvida em um tanto de projeto que não consegui escrever a newsletter semanal. E eu estava tão ansiosa pra contar como foi minha semana…
Segunda-feira passada eu tive uma experiência sensorial totalmente inusitada. Eu fui convidada para um Workshop de Charutos! Olha só que legal…
Depois de 12 anos que me formei Sommelière de vinhos eu decidi que estava na hora de voltar a estudar um pouco e me matriculei para um curso que começou em janeiro. Tive a sorte de me tornar aluna do Diretor da Associação de Sommeliers da Áustria antes que ele se aposentasse de vez e, como tal, sou convidada, assim como meus colegas de curso, para degustações e Workshops que a Associação organiza.
Apesar de não ser fumante, eu decidi ir mesmo assim. Afinal, nessa profissão a gente tem que estar apta a degustar qualquer coisa de modo subjetivo, ou seja, independente se você gostar daquilo ou não. Imparcialidade é tudo.
Acontece que o Workshop foi ótimo: aprendi muita coisa sobre o tabaco em si, etiqueta “de mesa” na hora de acender charuto e harmonizamos charuto com tudo: desde espumantes, vinhos brancos e tintos – tanto leves quanto encorpados, vinhos generosos como o do Porto e alguns tipos de destilados, como whisky, cognac, rum, etc. E é claro que eu não perdi a oportunidade de levar umas cachaças comigo.
E pra quê isso? Bem, tenho muitos clientes austríacos que fumam charuto e gostam de beber rum. Eu percebi há muito tempo já que o que eu vendo é lifestyle, ou seja, estilo de vida, e charuto atinge esse nicho: quem fuma um belo charuto cubado saberá apreciar uma boa cachaça. Aliás, uma cachaça bem encorpada e com bastante madeira, ou seja, um produto premium ou com maior valor agregado.
Apesar do forte cheiro de tabaco que demorou uma semana para sair do meu cabelo, saí do Workshop muito contente por ter aprendido um tanto de coisa legal. Além de tudo, fiz networking com um grupo maravilhoso de profissionais experientes na área e distribuí muitos cartões de visita. O evento já me rendeu mais duas degustações e ainda de quebra vendi cachaça para o Diretor, meu professor. De quebra, eu fui A ÚNICA entre 20 sommeliers que reconheceu a Cava que foi servida de entrada, para a alegria do meu Professor hehehehe (e da minha!)
Enfim, deixo aqui com vocês uma receita de coquetel que aprendi há uns anos durante um curso que fiz na ProDrinks em São Paulo, o Cohiba*:
30 ml de cachaça envelhecida no carvalho
30 ml de Vinho do Porto (de preferência um Tawny 30 anos)
3 dashes de Angostura bitter
30 ml de suco de cereja
1 canela em pau
1 zest de laranja
Gelo
Modo de preparo:
Coloque o gelo em um copo de whisky. Adicione o suco de cereja, o Pedro Ximenez e a cachaça. Então, adicione os 3 dashes de Angostura e mexa. Pronto! Agora basta colocar a canela em pau e o zest de laranja.
*Este coquetel é um twist, ou seja, uma versão abrasileirada do coquetel original Cohiba, ok?
Se você reproduzir o coquetel, não esqueça de postar e me marcar!
Beijos etílicos.